sem TGE
O judiciário, pelo seu poder coercitivo, não deve funcionar apenas na regulamentação das relações sociais ou como moderador na desigualdade das forças, mas como espelho onde o cidadão possa perceber-se como tal. Concebendo então o Poder Judiciário como aclarador da cidadania fica mais óbvio seu papel transformador na interação do Estado com o cidadão e vice-versa.
Uma justiça atuante, ética e sobretudo democrática não só bem assiste o povo sobre o qual estende sua tutela como gera indivíduos interessados na própria justiça, conhecedores da lei, convencidos de seus limites bem como de seu alcance e, o mais importante, não tão susceptíveis às investidas dos agentes nocivos à democracia.
Porque um povo desassistido em seu direito à igualdade - princípio maior da justiça - é roubado em todos os outros, e está à mercê de toda sorte de interesses; é presa fácil do charlatanismo, da ciência desumana, do tráfico, do capitalismo antiético, da mídia; esta que toma as rédeas da justiça, encontrando oportunidade em suas falhas cada vez mais frequentes, angariando a simpatia popular, solucionando questões isoladas com presteza, procrastinando o despertar da consciência da massa que bem se acostumou com os remendos diários.
O mais desesperador é que, se por um lado o povo não pretende tão cedo tomar para si o que é seu por direito, o Estado, vendo as "amas" embalarem seus rebentos, alivia-se, acomoda-se, dedica-se aos seus outros interesses. É como se o Estado tivesse seu fim em si mesmo e o contrato firmado com seus tutelados fosse repassado a quem possa interessar.
